quarta-feira, 10 de junho de 2009

Teddy Boys, Mods e Rockers

Antes da década de 60, as crianças passavam direto para a fase "adulta", sem muita transição e características que marcassem uma faixa etária de hormônios à flor da pele.Os Teddy Boys, impulsionados pelo rock norte americano, foram os primeiros a se diferenciarem de seus pais através da roupa. Usavam calças justinhas de cintura alta, jaqueta eduardianas com detalhes em veludo, meias coloridas, sapatos de camurça e gravata fininha de couro. Os cabelos puxados para cima com topetes a lá Elvis.
Após os Teddy Boys, apareceram os Mods e os Rockers.

No final da década de 50 e início de 60, filhos dos donos de lojas de tecido começaram a impulsionar a vida social urbana de Londres. Ligados à moda, ao jazz e ao blues, os Mods, se reuniam em pubs para exibir seus ternos italianos e seus passos de dança. Como os transportes públicos encerravam muito cedo, adotaram as scooters, Vespas e Lambrettas, como meio de transporte.
Com o tempo expandiram seu gosto musical pelo Ska, bluebeat, e R&B. Algumas bandas referência deste momento são Small Faces, The Who, e The Yardbirds.

Seus rivais os Rockers, aderiram as motocicletas e jaquetas de couro, e ouviam o rock americanos dos anos 50, como Elvis Presley, Gene Vicent, e Eddie Cochran.
Os rockers achavam os mods muito afeminados e sensíveis, enquanto os Mods consideravam os rockers rudes e sem gosto para roupas.

As jaquetas Perfecto, são referência quando falamos de inspirações em rockers. E elas sempre voltam com um toque moderno mas sem perder sua essência.

Maria Bonita Extra contrói um look com atitude, mas com diversão através da cores vibrantes que salpica nas composições.

Já a marca Auslander, apresentou uma releitura bem legal da cultura inglesa e os rockers no Inverno 2009.


Mais informações:
Teddy Boy
Mods and Rockers
www.themodgeneration.co.uk

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Clubber

Seguindo a vibe neon do new rave, vamos falar da tribo Clubber.

A tribo

No final dos anos 80 aconteciam na Inglaterra festas que eram chamados de “acid house party", hoje, identificamos pelo nome: Rave. Rave significa delírio, que se refere a relação da música eletrônica combinada com o ecstasy e o ácido lisérgico, provocando um estado alterado de consciência. São festas realizadas em espaços abertos, fora do perímetro urbano ou em galpões abandonados da periferia, onde os jovens passam horas a fio dançando (mais de 12 horas de duração) a alta música hipnótica em uma espécie de transe .

É Desse cenário que surge a tribo Clubber. Essa tribo de caráter underground, em que a música não é feita apenas para ser comercializada, tem como referência o gosto pela música eletrônica, e a um conjunto de manifestações associadas a esta música, como:

-Vestuário
-Culto ao DJ
-Cultura gay
-Uso de tecnologias contemporâneas (webzines, sites, listas de discussão, chats)
-Cibercultura
-Busca do prazer coletivo através da música, do uso de drogas, do prazer aqui e agora.
-Dogma Plur


Os clubbers seguem a ideologia do dogma PLUR, acreditam que estes elementos são indispensáveis na sua vida:

-Peace(Paz)
-Love(amor)
-Unity(união)
-Respect(respeito).

A música Eletrônica

O início da música eletrônica começou com a busca por novos timbres emitidos por instrumentos nada convencionais. Em 1964, surgiu o Moog (sintetizador portátil), que permitiu uma música mais experimental que cria timbres totalmente sintetizados e manipulados eletronicamente. Através de um teclado era possível manipular o som com filtros, osciladores, amplificadores e mixers. Assim sugem novos estilos como: ambient, trip hop, gabba, disco, house, acidhouse, tecno, detroit tecno, trance, tecnopop. Também surgem novos grupos musicais como o Can, Faust e Kraftwerk.
Os Disk jockeys (DJs) tornam-se referência. São esses os verdadeiros pesquisadores de tantas novidades lançadas em tantos lugares diferentes.
Após os moogs, foram criados também os samples e os sequencers, que deram poder de criação musical para aqueles que não tem formação de teoria musical. Dessa forma era incentivado a criação e a troca de músicas, expandindo a música eletrônica e extinguindo o termo Pop Star nesse gênero, o que vale é o processo e a maneira com que você dialoga com as amostras de outras pessoas, e é aí que está a autenticidade de cada um.
Em uma Rave, o DJ procura criar o “clima”, a “vibe”, através da música hipnótica. Estas festas procuram criar novas propostas sensoriais, e também buscam conexões com outas linguagens artísticas. É o caso dos artistas que geram imagens fractais, clips em 3D e animações em realidade virtual. Através de uma experiência multisensorial, funde-se o arcaico e o desenvolvimento tecnológico, com a música computadorizada, som tribal (repetitivo), luzes psicodélicas, drogas, dança primitiva.

Banda: Kraftwerk

O Smiley, foi adotado como o símbolo do movimento.
















O look Clubber

Você pode identificar um clubber pelo estilo próprio e extravagante que constrói misturando muitas peças ao mesmo tempo. São blusas, saias, calças e leggins super coloridos e fluorescentes.

Maquiagem brilhante, excesso de pulseiras, colares, os piercings, tatuagens tribais, cabelos de cortes diferente e coloridos, principalmente o moicano, tornaram-se características fortes para o estilo clubber A tecnologia e o futurismo refletem nos materiais sintéticos, das roupas e acessórios, como: lycra, nylon, vinil e tecidos que brilham no escuro.
O tênis Plataforma é uma herança deixada pelos Clubbers

Mais do que um adorno, um corte de cabelo, uma peça de roupa, para os clubbers, são símbolos que remete a algo que ele realmente acredita.

*Alfinetes: Contra o aborto.
*All Star (cano baixo): Humildade, baixa renda.
*All Star (cano alto): Contra o militarismo ; a favor da baixa renda.
*All Star (branco): Só usa quem sabe todas as ideologias.
*Cabelos em Pé: Contra o armamento nuclear.
*Cardaço Branco: A favor da paz usados pelos clubbers mais manjados no movimento.
*Cardaço Cinza: Contra droga e fumo.
*Cardaço Colorido: Pessoa associada, a favor do homosexualismo ou sem preconceito.

*Cabelo Moicano: Contra a matança e a favor do futurismo.
*Cardaço Laranja: Contra o nazismo.

*Cardaço Marron: Contra a guerra.
*Cardaço Preto: Anti-social.
*Cardaço Azul: A Favor da infântilidade (proteção a Infância).
*Cardaço Verde: Contra o desmatamento.
*Cardaço Vermelho: Brigar em defesa do movimento.
*Calça Rasgada: Anti-social.
*Calça Xadres: Contra o racismo.
*Colar Colorido: A favor dos homosexualismo ou sem preconceitos.
*Coturno: Contra o militarismo.
*Faixa: Anti-machismo e anti-rotular.
*Incenso: Harmonização.
*Malabares: Veneração a arte e esportes radicais.
*Meião: Incentivo ao esporte.
*Óculos de acrilíco: A favor da modernização.
*Piercing nos Lábios: Contra as drogas.
*Piercing na Língua: Contra a fome.
*Piercing no Nariz: Contra a poluição.
*Piercing no Queixo: Contra as drogas.
*Piercing na Sombrancelha: Contra o aborto.
*Piercing no Umbigo: A favor do aborto.
*Chupeta: Contra o abuso de menores.

*Pulseira Colorida: A favor do homosexualismo ou sem preconceito.
*Pulseira de Ponta: Contra a Bomba Núclear a favor do futurismo.
*Roupas de Nylon: A favor do modernismo.
*Roupas de Vinil: A favor da moda e sua evolução.
*Saião: Contra o machismo.
*Símbolo Cavalera: A favor da liberdade.
*Símbolo Nazismo: Contra o nazismo.

*Mascara Hospitalar: Contra a poluição atmosférica.

Body modification


O body modification é toda e qualquer modificação feita no corpo, através de cirurgias realizadas por uma razão não-médica, a maior parte é irreversível e dolorosa. O corpo pode ser modificado na sua forma ou pode ser inserido adornos que passam a fazer parte dele.

“O termo ‘body modification’ se refere a uma longa lista de práticas que incluem o piercing, a tatuagem, o branding, o cutting, as amarrações e inserções de implantes para alterar a aparência e a forma do corpo. A lista dessas práticas poderia ser estendida para incluir a ginástica, o bodybuilding, a anorexia e o jejum – formas pelas quais a superfície corporal não é diretamente desenhada e alterada por meio de instrumentos que cortem, perfurem ou amarrem. Nessas práticas, o corpo externo é transformado por meio de uma variedade de exercícios e regimes alimentares, que constituem processos mais lentos, com efeitos externos, tais como o ganho ou a perda de massa, gordura ou músculos, que só se tornam observáveis após longos períodos de tempo (...) Adicionalmente, devemos considerar os modos pelos quais o corpo é modificado pelo uso de formas variadas de próteses e sistemas tecnológicos” (Featherstone, 1999: 01).

Línguas partidas no meio, suspensão por cabos de aço, tatuagens por queimaduras, próteses inseridas na testa, os adeptos da Body Modification buscam por uma identidade, na criação de estilo próprio, uma forma de se inserir em um grupo através dessas transformações.
Não é de hoje que o corpo é usado como um meio de comunicação seja através da roupa que usamos, tatuagens, piercings e outros adornos agregados ao corpo.

“As práticas de modificação corporal existem há milhares de anos, com as suspensões na Índia, as tatuagens na Oceania, as perfurações na Ásia e na América, e a escarificação na África. Esses costumes tribais foram descobertos pelos marinheiros europeus no século XVI, mas ficaram marginalizados durante muito tempo. Na década de 1960, houve uma valorização da cultura oriental e as tatuagens passaram a ser mais populares. Já as perfurações e os piercings começaram na década de 1970, com os punks. Na década de 1990 ocorreu uma explosão de estilos e práticas.” – wikipedia
Na índia, o Kavadi é um ritual onde múltiplos piercing, agulhas, etc. são inseridos no corpo da pessoa de modo a provar e/ou fortificar a fé do próprio.



Há vários de tipos de transformações corporais, entre elas se destacam sete:
1) Branding – o profissional faz uso de um maçarico quente evai aplicando sobre a pele da pessoa queimando até formar umacicatriz com o desenho escolhido.
2) Escarificação – Cortes de bisturis com o intuito de formar uma cicatriz de acordo com o desenho desejado pela pessoa.
3) Bifurcação da língua (Tong Split) – Cirurgia que divide a língua em duas partes.
4) Pocket – é como se fosse um piercing. No entanto, a diferença é que a haste fica para fora, e as pontas ficam dentro da pele. Podendo ser feito no braço, na nuca, nas costas, pescoço e na perna.
Um exemplo é esse “corselet” que da mais charme a invenção quem adere ao pocket coliga os piercings com fitas.
5) Implantes subcutâneos – é o implante de um objeto (de silicone, osso, de aço, etc.) sob a pele, formando um alto-relevo.
6) Surface – O objeto implantado é como se fosse uma "trave ao contrário", cujas pontas ficam para fora da pele e a haste fica dentro.
7) Implante transdermal – Implante de aço cirúrgico (pode ser implante de bolinhas também) entre a gordura da pele e o músculo, onde metade do objeto fica exposto e metade fica para dentro da pele.
Nesta cena, se destacaram algumas pessoas que foram ao extremo mudando seu corpo totalmente



O Homem Lagarto

Este é Erik Sprague, um americano de 36 anos. Em 1999 ele abandonou o doutorado em filosofia para se dedicar à carreira de artista performático em tempo integral. Erik cobriu seu corpo de tatuagens de escamas, bifurcou a língua, lixou os dentes, implantou chifres de teflon sob a pele da sombrancelha se transformando no Homem Lagarto.

Havaiano Mutante


Kala Kawai é conhecido como “o havaiano mutante”. O que mais impressiona nele são os chifres pontiagudos implantados na cabeça. Diz a lenda que ele colocou os próprios piercings e partiu a língua ao meio com fio dental.

Body Piercing




A brasileira Elaine Davidson, que mora em Edimburgo, na Escócia, é a recordista mundial de piercings. Até 2008 ela tinha 5.920 espalhados pelo corpo.Quando quebrou o recorde pela primeira vez, em maio de 2000 ela tinha 462 piercinigs, sendo 192 no rosto.



Michael Jackson?

O ícone pop apesar de motivos diferentes teve seu corpo totalmente mudado, começou com cirurgias plásticas, e depois da primeira foi uma cirurgia atrás da outra mudando bastante sua fisionomia. Logo, veio a polêmica da mudança de cor de pele, o cantor dizia ter vitiligo, uma doença não contagiosa que ocorre perda de pigmentação no corpo, assim justificou o clareamento de pele, diagnosticado pelos médicos sendo mais fácil fazer esse tratamento do que tratar as manchas. Não se sabe bem ao certo qual é mesmo a verdade sobre esse mistério, com certezas muitas coisas foram distorcidas pela mídia, mas não deixa de ser um bom exemplo de mudanças radicais no corpo.



Body Suspension



No sul da índia a milhares de anos atrás, os nativos praticavam um ritual conhecido hoje como body suspension, em que eram amarrados em troncos de árvores suspensos por artefatos de bambu e metal espetados ao corpo. A sensação de dor extrema os fazia acreditar que estavam mais próximos das divindades.
Hoje o costume atraiu pessoas ligadas a sensações extremas, os chamados de “adrenaline junkies”, viciados em adrenalina, a suspensão do corpo foi aperfeiçoada e é feita através de ganchos passados através de perfurações na pele. Estas perfurações são temporárias e são abertas pouco antes da suspensão ocorrer. Para alguns a prática desse “ritual” é feita como uma meditação, acreditam que ela pode elevar o nível de consciência espiritual.

Vale lembrar que a prática deve ser feita somente por profissionais que devem tomar uma série de cuidados, pois um erro pode ser fatal.

Arte conceitual

O legado das vanguardas da arte é enorme e tem influencia em diversos ramos. Um deles é a arte conceitual.

Após as vanguardas a arte parou de apenas representar, para então trabalhar com o surreal, abstração. Marcel Duchamp criticava as pinturas pelo fato de reduzir a arte em apenas matéria (tinta, cor, desenho, textura e sensibilidade) e contemplação da sensação.

"One and Three Chairs", Joseph Kosuth.

Com isso a materialidade cai por terra e o artista torna-se o possibilitador de uma idéia. As obras da década de 70 são regidas pela "arte como idéia", e trabalham com a performance, novos meios tecnológicos, e a instalação.
A libertação dos parâmetros que regravam a arte permite que tudo seja arte, desde que com este intuito. O conceito ou atitude da obra superam sua aparência, e a reflexão é essencial e pessoal.

O Grupo Fluxus valorizava a criação coletiva e integrava diferentes linguagens como a música, cinema e dança se manifestando através de performances, happenings e instalações. Os artistas Nam June Paik e Wolf Vostell, no grupo Fluxus foram os primeiros a utilizar o vídeo, criando a videoarte.

Manifesto, Fluxus, 1963

A moda se refere ao nossos modos e costumes. Aquilo que agente veste é aquilo que aceitamos. Com a arte conceitual, a moda também procura se afirmar e valorizar o ser como indivíduo. O estilista passa seu conceito através da atmosfera do desfile e de suas criações que fogem do vestuário comum e dão espaço ao personagem surreal.

Hussein Chalayan é um designer que faz diálogo entre moda e arte em seus trabalhos. No site podemos ver todos seus trabalhos para a marca e trabalhos artísticos.


Mais informações:
Arte Conceitual
Grupo Fluxus
www.husseinchalayan.com
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