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segunda-feira, 24 de maio de 2010

A roupa das coisas

GOTSCHO para COMME des GARÇONS — BARNEYS, New York


Ausência. Quando vi o trabalho do artista Gotscho, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a música Roupa no Varal, do Lula Queiroga. Ao mesmo tempo que as roupas sugerem uma ausência, elas dão certa vida aos objetos.

As obras de Gotscho geralmente envolvem roupas de alta costura que se fundem a outros objetos. No início ele mesmo criava as roupas na década de 90, e a colaboração com Agnes B trouxe outras parcerias, como Comme des Garcons, Christian Dior, Yohji Yamamoto, Martin Margiela, Issey Miyake, Christian Lacroix e Emanuel Ungaro.

 SUITE DIOR — Christian Dior, Paris - Peças de vitrines para a reabertura da Maison.

Na década de 90, a aproximação das formas de expressão se intensificam. Existem dois lados: uma moda que faz "arte"; e uma arte que fala de moda. As exposições são invadidas por objetos de consumo, enquanto as lojas promovem exposições de artistas.

A crise do consumo de objetos de luxo que acontece nessa época, gera esta aproximação arte+moda. E a confusão gerada por essa união, apesar de ser vista negativamente por confundir as coisas, será também uma grande fonte de inspiração.

Site oficial do Gotscho: www.gotscho.net

terça-feira, 11 de maio de 2010

Exposições Universais e a Moda


Estamos acompanhando toda a euforia de Xangai pela Exposição Universal. Não só de Xangai claro, mas de todos os ávidos por tecnologia e que querem saber um pouco de como anda nosso mundo. Pavilhões do mundo inteiro foram construídos com o intuito de tentar reunir em um só lugar, toda a tecnologia de ponta existente no planeta.

Uma missão bem difícil e complicada para os dias de hoje, imaginem na primeira exposição em 1851. Cada exposição tem um tema, e as primeiras eram sobre indústria, máquinas, engenhocas.

Charles Frédéric Worth, o primeiro costureiro de Alta Costura, participou das primeiras exposições em Londres e Paris, afinal de contas as máquinas de costura ja estavam circulando, e a moda começava a nascer.

Na exposição Mundial de 1889, foi a vez da Torre Eiffel. As primeiras máquinas fotográficas também apareciam, e mostravam progresso.

Outras mostras internacionais foram surgindo. Uma delas, a Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, aconteceu em Paris em Abril de 1925. Permaneceu aberta durante seis meses com o intuito de mostrar os novos talentos Franceses. Com a participação de Jeanne Lanvin, Jean Paquin e Paul Poiret, a moda ganhou destaque na exposição, e só reafirmou a imagem de Paris como lançadora de tendências e luxo.

O "Pavillon de l'Elégance", criado pelo designer Armand Rateau, exibia trabalhos de Lanvin, Callot Soeurs, Jenny, Paquin, Vionnet e Worth. Luxuosos vestidos de festa e mantos eram expostos em manequins criados especialmente para a exposição e inspirados em illustrações de moda da época.

Enquanto o "Pavilhão da Elegância" era mais direcionado à tradicional Alta-Costura, a moda avant-garde, muito forte na época, foi representada por Sonia Delaunay na "Rue des Boutiques". As modelos vestiam as moderníssimas roupas de Sonia, e foram fotografadas na rua, em frente a um carro que Sonia mesma pintou, e de árvores do artista cubista Martel.

Esta exposição sem precedentes, foi visitada por milhares de pessoas. Seu impacto na alta-costura e na moda em geral foi imediato.
Não achei nada que refere à moda na exposição de Xangai. Vocês viram? Deixem aqui o link pra gente!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Início da fotografia de moda

Edward Steichen, Bakou et Pâtre, Revista Art et Décoration, Abril, 1911.

As meninas estão em clima de fotografia, então me deu vontade de falar sobre o inicio dessa junção tão espetacular de moda+fotografia.

A evolução da fotografia de moda está ligada aos avanços das tecnologias das próprias máquinas, mas também ao amadurecimento da moda e das revistas de moda.
Em 1911 Paul Poiret contratou Edward Steichen, o melhor fotógrafo da época, para registrar sua última coleção. Steichen ao colocar as modelos interagindo com o ambiente de uma forma delicada, criou o primeiro estilo de fotografia de moda, que ainda era muito relacionado as ilustrações de moda da época.

George Hoyningen-Huene, modelos usando roupa de banho, EUA, 1930.

Durante a década de 20, a Vogue contratou uma série de fotógrafos famosos para registar a moda. Os que mais influenciaram este momento foram o surrealista Man Ray, e George Hoyningen-Huene.
Com um estilo mais chapado e uma ótima percepção da luz, George Hoyningen-Huene casou bem com o estilo cubista das roupas de praia da época, que ele as colocava em contato com fundos minimalistas. Ele e Man Ray estavam mais atraídos pelas formas das roupas do que pela própria moda, e assim misturaram a moda à suas próprias estéticas e formas de fotografar.

Edward Steichen, fotografia de Madame Agnès. Vogue Britânica, Setem. 1926.

A partir daí os estilistas começaram a usar esta nova forma de registro de suas roupas, e as ilustrações que antes eram usadas, foram arquivadas. Mas apesar do preço alto da fotografia neste início, somente a partir de 1960 que a fotografia irá comandar pra valer as revistas de moda e expulsar as ilustrações.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Jean-Baptiste Debret

Já falamos um pouco sobre o livro Roupa de Artista, que mostra pintores que também trabalhavam como "modistas", por exemplo Velàzquez. Aqui no Brasil, a coisa começou com Jean-Baptiste Debret, que veio como integrante da Missão Artística Francesa em 1816.

Com a vinda da corte Portuguesa ao Brasil em 1808, vários pesquisadores vieram com o intuito de estudar e registrar o que se passava por aqui. Debret era considerado o "pintor da história" e o mais novo professor da recém formada Escola Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro. Retratou os soberanos, os momentos históricos que presenciou, e a vida cotidiana no rio. Também trabalhou para criar uma imagem jovem ao país, redesenhando a bandeira brasileira, obras de ornamentação pública, vestimentas religiosas, militares e provavelmente as roupas de gala dos nobres.

Não é mencionado se as criações de vestimentas da corte são suas, mas através dos quadros que pintou, podemos perceber semelhanças com revistas de moda da europa, além da riqueza de detalhes em pequenos espaços. Em seu livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Debret diz que no reinado de D. Pedro I as roupas tiveram um momento de brilho.

Além da realeza, a beleza das peles negras e mestiças o encantavam. Aquarelas e desenhos registraram as roupas, adereços, detalhes de cabelo, penteados, jóias, e o movimento da vida de cada uma. As ruas do rio eram repletas de negras que vendiam frutas, quitutes, que trabalhavam, e eram exploradas. Sempre fazia anotações sobre vestimentas:

"Aí as encontramos, com efeito, vestidas de modo estranhamente rebuscado, com as cores mais alegres e brilhantes..."

A moda no Brasil passava por uma mistura. As brancas chegavam da europa trazendo os modos franceses; as negras traziam seus mantos e cores da áfrica; e as colonas estavam se libertando das mantilhas escuras que as excluíam da sociedade.

Debret retornou à França em 1831 e publicou seus resgistros. Seu trabalho documental sobre o Brasil possibiltou uma melhor compreenção do país.

Além dos livros de Debret, existem outros que falam de uma forma gostosa de ler sobre nosso país naquela época: A cidade e a Moda, de Maria do Carmo Teixeira Rainho; e alguns livros de Gilberto Freyre como A vida social no Brasil nos meados do século XIX.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Azul Klein

A antiga fábrica 104 Tecidos, como a maioria das pessoas aqui de BH já sabem, se transformou em um espaço cultural super bacana. Nesta semana e na outra vai rolar uma programação especial nas sessões de filmes Cine 104. Com filmes selecionados de vários festivais, as produções refletem sobre o cinema atual e nossos comportamentos.

Um dos filmes que passa (hoje!) é o "documentário ficção" Yves Klein. A revolução Azul, sobre a obra e a vida de Yves KLein. Narrado pelo próprio artista e composto por imagens pessoais misturadas às fictícias, o filme é uma espécie de quebra-cabeças que nos fala um pouco sobre o homem, sua obra, e o mundo que viveu.

O trabalho de Klein é marcado pela cor azul forte que utilizava e que acabou patenteando, e as performances das mulheres que eram pintadas por ele e depois se jogavam nas telas.

A programação completa do Cine 104 você encontra aqui. E um pouco mais sobre Yves Klein aqui.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Roupa de Artista

Diego Velàzquez, Infanta Margarita, 1659

Inicio de ano é época de bota-fora. Limpar armários, estantes, gavetas e tudo que estiver na reta. E foi nesta limpeza que encontrei uma fita de vídeo - sim, não se espante, eu ainda tenho um videocassete aqui em casa - de uma dessas coleções de documentários sobre pintores, e esta especificamente falava sobre Velázquez. Era breve e fazia menções à expressividade que retratava não só os olhares tristes do rei Felipe IV da Espanha, mas também aos retratos de pessoas menos importantes.
Retomado o ano após este carnaval, cai em minhas mãos o livro Roupa de Artista - O vestuário na obra de arte de Cacilda Teixeira da Costa, lançado em dezembro de 2009, que em seu segundo texto me foi apresentado um outro Velázquez:

"...Felipe IV tinha um trunfo importante: seu "pintor de camara", "aposentador mayor de palácio", "ayuda de guardarropia" e mestre de cerimônias públicas, era ninguém menos que Diego Velázquez, que, além da pintura dos retratos reais, era responsável pela decoração dos palácios, pelo vestuário do rei e pela realização de festas."

Tapeçaria de Gobelins da série "A história do Rei" a partir de cartão de Charles Le Brun. Tecido de 1665 a 1668

Na cerimônia de entrega da filha de Felipe IV, Maria Teresa, para seu futuro marido Luis XIV, rei da França, foi organizado um encontro de ambas as cortes, e Velázquez foi o responsável pela organização tanto do espaço físico, quanto das vestimentas do lado Espanhol. Com roupas em tons escuros e claros, o pintor deixou sua marca com elegância e luxo neste momento marcante da corte Espanhola, e nos mostra uma outra face das representações reais em pinturas: a disseminação da moda.
As novas "modas" dos reis e rainhas eram apresentadas à corte através destas pinturas e é claro imortalizadas. Até então, eram pintores como ele quem davam "pitaco" nas roupas dos reis e rainhas, e isso só irá mudar com as primeiras publicações de moda que surgem por volta de 1780, e com as revoluções Francesa e Industrial.

O livro de Cacilda Teixeira é bem gostoso de ler, e trabalha este olhar da moda em cima de obras Renascentistas até os dias de hoje. Está com um preço excelente no site da editora: livraria.imprensaoficial.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2009

Arte Tecnológica

As Artes Híbridas


É fundamental para o entendimento do processo de configuração das artes tecnológicas ou artes midiáticas, a compreensão do mecanismo de hibridização das artes.

As artes híbridas são linguagens e meios que se misturam para formar um conceito único. Algumas artes são híbridas por natureza como teatro, ópera e performance. É um processo intersemiótico. Estes processos intersemióticos tiveram seu início nas vanguardas estéticas do início do século XX e a partir daí foram tomando proporções maiores.

O processo de hibridização das artes aconteceu por diversas razões entre elas a disponibilidade de materiais, suportes e meios para o artista realizar misturas propiciadas pela miscigenação crescente entre as culturas artesanal, industrial-mecânica, industrial-eletrônica e teleinformática.

Mas, em que momento, na construção do que se tornaria a arte moderna, as misturas entre imagens, meios e materiais se intensificaram? Podemos colocar que há um ciclo compreendido entre Cézanne e Mondrian. Antes de artistas como eles, a arte representava o mundo com figuras bem definidas e reconhecíveis. No final do século XIX as artes já haviam rompido com a tradição e não havia mais a obrigatoriedade de representar espaço, tempo e movimento dentro de modelos previamente definidos. Cézanne, ao procurar novas estruturas espaciais para representação, iniciou um novo modo de se fazer arte, com novos significados, suportes e materiais. Mondrian fechou este ciclo de mudanças, juntamente com outros pintores abstracionistas ao abolir o figurativo e romper com seus limites. Este ponto final coincide com a explosão dos meios de comunicação e da cultura de massas, fenômenos que mudaram para sempre os caminhos da arte e geraram uma expansão tecnológica.

Esta expansão vem impactando os processos artísticos desde os anos 50, acentuando-se nos anos 60 e mais ainda nos 70. A Pop Art, com seu uso sarcástico dos grandes ícones da cultura de massas, deu continuidade à hibridização das artes que havia se iniciado no Dadaísmo e se intensificou nos anos 70 com a proliferação das instalações. Nessas três décadas, se encontram as raízes do pós modernismo, principal era das artes híbridas.

A Arte Tecnológica


Sempre houveram técnicas para se produzir arte. Do Renascimento até o século XIX, as artes eram feitas à mão, de maneira artesanal. Dessa forma, dependiam da habilidade do artista.

A revolução industrial trouxe consigo não só as máquinas, mas também grandes mudanças. As máquinas aumentavam a força física do homem e foi criada a câmera fotográfica. Nasceram aí, as artes tecnológicas, acabando com a exclusividade do artesanato nas artes.

Nam June Paik



Enquanto a técnica depende da habilidade de um artista, a tecnologia alia à técnica um conhecimento científico e assim extrapola o corpo humano. Dessa forma, arte tecnológica nada mais é do que o casamento entre artista e dispositivos maquínicos, que resulta na produção da obra de arte. Essa união começou com a fotografia. São inumeráveis as mudanças de ordem cultural configuradas pelo nascimento da fotografia e, a partir dela, a história da arte tomou novos rumos.

Bill Viola


Os artistas deixaram seus ateliês e passaram a produzir suas obras nas ruas. Com o surgimento das vanguardas artísticas, como Cubismo, Surrealismo e Dadaísmos, os suportes tradicionais da arte caíram por terra e os artistas se viram livres para integrar arte e vida, integração esta, que fez o próprio corpo do artista ir se transformando em obra de arte.

Jeffrey Shaw


Ao mesmo tempo em que eram construídos novos princípios para o feitio das artes, os vanguardistas reivindicavam uma nova forma de produção artística, através de dispositivos tecnológicos. Os principais defensores desta idéia eram os Futuristas que, a cada manifesto elaborado por eles, acrescentavam um novo meio tecnológico que, para eles, ampliava o gênio criativo.

Eduardo Kac

A Moda Tecnológica

A arte tecnológica inspira a moda há muito tempo, já que contribui diretamente com o aprimoramento da parte técnica dos cortes e tecidos. Os cortes a laser foram introduzidos há um tempinho. Se no começo eram usados apenas como arremate de barras e punhos, hoje desenham verdadeiros bordados nos tecidos mais sofisticados. Os tecidos, então, cada vez mais incríveis: não amassam, brilham, não brilham, resistem à agua e à muitas lavagens, têm um toque acetinado ou plastificado, tudo para os mais diferentes gostos e bolsos. Alguns exemplos abaixo:

Osklen


Alexander McQueen


Gareth Pugh




Hussein Chalayan


sábado, 20 de junho de 2009

Menos é Mais

Menos é mais! Podemos dizer que esta é a máxima do movimento artístico conhecido como Minimalismo, que influencia tanto a moda quanto o design como um todo.
O Minimalismo traz consigo fortes heranças do Construtivismo Russo que, através da experimentação formal, procurava uma linguagem universal da arte, passível de ser absorvida por toda a humanidade. Durante a Revolução Russa, com sua necessidade de desenvolvimento tecnológico, os construtivistas se apoderaram desta tecnologia para dar origem a abstrações as quais foram seguidas por vários movimentos, dentre eles o Minimalismo.

Dan Flavin


Este movimento artístico tem como seu resumo três palavras: simplicidade, sofisticação e tecnologia. Dessa forma, as cores e formas das artes minimalistas sofrem uma redução sistemática. O Minimalismo é uma arte cética que não quer pregar ilusões, por este motivo, torna-se uma arte fria e sem emoção.


Jasper Johns


Um dos objetivos principais do Minimalismo era trabalhar com a realidade, sem mitologia e sem história, olhar o agora e não o passado.

Donald Judd

Outros artistas minimalistas: Frank Stella, Robert Morris, Sol Lewitt, Carl Andre e Adolf Loss.


Na moda, os estilistas minimalistas, são conhecidos por seu impecável trabalho de modelagem e primazia no corte e acabamentos. Os tecidos são quase sempre tecidos tecnológicos e a cartela de cores é sempre bastante enxuta.

Yohji Yamamoto SS 09

Calvin Klein SS 09


Jill Sander SS 09


Outros estilistas minimalistas: Andre Courréges, Mary Quant, Martin Margiela e Lanvin.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Arte conceitual

O legado das vanguardas da arte é enorme e tem influencia em diversos ramos. Um deles é a arte conceitual.

Após as vanguardas a arte parou de apenas representar, para então trabalhar com o surreal, abstração. Marcel Duchamp criticava as pinturas pelo fato de reduzir a arte em apenas matéria (tinta, cor, desenho, textura e sensibilidade) e contemplação da sensação.

"One and Three Chairs", Joseph Kosuth.

Com isso a materialidade cai por terra e o artista torna-se o possibilitador de uma idéia. As obras da década de 70 são regidas pela "arte como idéia", e trabalham com a performance, novos meios tecnológicos, e a instalação.
A libertação dos parâmetros que regravam a arte permite que tudo seja arte, desde que com este intuito. O conceito ou atitude da obra superam sua aparência, e a reflexão é essencial e pessoal.

O Grupo Fluxus valorizava a criação coletiva e integrava diferentes linguagens como a música, cinema e dança se manifestando através de performances, happenings e instalações. Os artistas Nam June Paik e Wolf Vostell, no grupo Fluxus foram os primeiros a utilizar o vídeo, criando a videoarte.

Manifesto, Fluxus, 1963

A moda se refere ao nossos modos e costumes. Aquilo que agente veste é aquilo que aceitamos. Com a arte conceitual, a moda também procura se afirmar e valorizar o ser como indivíduo. O estilista passa seu conceito através da atmosfera do desfile e de suas criações que fogem do vestuário comum e dão espaço ao personagem surreal.

Hussein Chalayan é um designer que faz diálogo entre moda e arte em seus trabalhos. No site podemos ver todos seus trabalhos para a marca e trabalhos artísticos.


Mais informações:
Arte Conceitual
Grupo Fluxus
www.husseinchalayan.com

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Neoconcretismo

O neoconcreto nasce a partir da divergência dos grupos concretos de São Paulo e Rio de Janeiro. Com pensamentos diferentes, cada um segue um rumo para uma nova tendência da arte.

O Manifesto Neoconcreto de 1959 aborda a racionalização gerada pelo concretismo. Eles defendem a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade. Com isso, a recuperação das possibilidades de criar do artista unidas a interatividade do espectador, tentam acabar com a relação técnica da obra criada pela concretismo.

Amilcar de Castro

Ainda há referências geométricas no movimento, mas aliadas à tecnologia e à ciência, acabam por gerar novas linguagens. Amilcar de Castro trabalha em suas esculturas cortes e dobras em materiais rígidos, como o ferro. As formas geradas levam o espectador a experimentar novos enquadramentos e recortes do ambiente que a obra está inserida.

Hélio Oiticica, Relevo Espacial, 1959. 62,5 x 148,2x 15,3cm

Helio Oiticica também trabalha com geométricos em Relevo Espacial, onde as formas conquistam o espaço, quebrando a distância entre obra e observador.
A cor vibrante, antes recusada pelo concreto, agora faz parte das pesquisas neoconcretas.

Alguns Artistas:
Amilcar de Castro
Ferreira Gullar
Lygia Clark
Lygia Pape
Aluísio Carvão
Hélio Oiticica
Alfredo Volpi

A Maria Bonita em seu desfile de Verão 2008, trabalhou os recortes, formas, cores e estampas com referências no neoconcreto.


Mais informações:
www.itaucultural.org.br
www.amilcardecastro.com.br
www.heliooiticica.com.br
www.mariabonita.com.br

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Concretismo

Em 1951, o Brasil passava por um momento de tensão. Getúlio Vargas voltou ao posto de presidende da república por meio do voto popular, mas a pressão dos grupos oposicionistas e dos militares desencadearam uma crise que mais tarde o levaria ao suicídio. Começa então um governo militar e castrador com a desculpa de reorganização social.
Hermelindo Fiaminghi, Sem título, década de 50.

É neste clima que a arte no Brasil toma um rumo mais politizado e concreto. O figurativo desaparece dando espaço a uma estética geometrizada. Agora o concreto é aquilo que você está vendo. A redução sistemática e o ceticismo fazem do concretisto a primeira arte do Brasil a acompanhar um pouco o seu tempo, e ter fortes referências estéticas com o minimalismo.
Luis Sacilotto, Estruturação com Elementos iguais, 1953.

Os dois centros culturais mais fortes do concretismo foram Rio e São Paulo, o que de certa forma fez com que o movimento se tornasse um pouco elitista e fechado. A literatura e a música também tiveram a influencia do movimento.

Alguns artistas:

Ivan Serpa
Luis Sacilotto
Hermelindo Fiaminghi
Franz Weissman
Alfredo Volpi

Concretismo e moda

Alguns estilistas se inspiraram nas formas e cores do concretismo brasileiro.
No desfile de Inverno 09 da CORI até a cenografia colaborou para o clima geométrico.

Maria Bonita Extra também trabalhou as bandeirinhas de Alfredo Volpi na coleção de Inverno 07

Mais informações:
www.sacilotto.com.br
www.pinturabrasileira.com
http://moda.ig.com.br/galeria/2009/01/18/desfile_cori_227893.html

domingo, 3 de maio de 2009

Da Cerâmica ao Tecido

Ao ver o início do vídeo (clica pra ver no Youtube) do último desfile da Jil Sander, Fall 2009 Ready-to-wear, a primeira coisa que me veio a cabeça foi que realmente a Jil Sander é uma marca minimalista a começar pela ausência de cenário, passando pela pouca maquiagem e penteado enxuto das modelos e terminando com o jeito seco com que elas caminham e a música clássica bem limpa e de poucos acordes. É tudo sempre muito enxuto, com excessão do impecável trabalho de modelagem com recortes perfeitos.

Acontece que desta vez, Raf Simons, estilista da marca, surpreendeu a todos ao interromper bruscamente a ode ao minimalismo bem construído e tradicional do legado Jil Sander com um blackout, seguido por um jogo de luzes coloridas e uma nova trilha sonora, composta por batidas eletrônicas contidas e repetidas.

Passado o "susto", a platéia pôde se deleitar com a nova proposta de Raf. Roupas minimalistas ultra modernas, com modelagens incríveis que recostruiam o corpo da mulher, toques de cores ácidas e o mais interessante: a inspiração literal vinda do trabalho do ceramista Francês Pol Chambost. Os vasos de barro se transformaram em formas e cores nos tecidos, tudo isto sem perder a essência que o nome Jil Sander traz consigo.

Abaixo algumas fotos comparando looks do show com as obras de Pol Chambost, é só clicar para ver maior:



Para ver as fotos do desfile completo clica aqui.

sábado, 18 de abril de 2009

Super-Star!!

Tem um tempinho que esta imagem da queridíssima Kate Moss vem me perseguindo na internet. Hoje me rendi e cliquei aqui para ver do que se tratava.. Pois era mais um destes artigos falando da vida das celebridades e uma breve entrevista. Mas esta imagem está aqui porque me remeteu logo a Pop Art e a década de 60. Uma estrela de plástico vermelha transparente e esse look bem Marilyn Monroe fazem até Andy Warhol revirar na tumba.

Esta histeria coletiva em torno de uma personagem de televisão, radio, cinema, começou com o boom destas mídias e da sociedade de consumo pós-guerra na década de 60. Com a tecnologia chegando e um novo público sedento por novidades e querendo se diferenciar de seus pais, artrizes e modelos inspiravam uma nova atitude. Mini-saias, meias coloridas, vestido à la Mondrian, libertavam das roupas conservadoras. Este consumo louco de produtos e personalidades foram os pontos tocados pela Pop Art. Ao mesmo tempo que tornava a arte mais acessível, ela criticava esta mesma sociedade.

Piero Manzoni enlatou seu cocô e vendeu a preço de ouro... enquanto hoje, a Kate coloca seu nome (nome porque ela mesmo assume que não sabe desenhar um vestido...) em algumas roupas e a fila vira quarteirão de pessoas querendo entrar na loja para comprar a nova coleção.

ps.: uma indicação de filme sobre superstars: Superstar - Despenca Uma Estrela. Diversão garantida!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Moda + cubo = Cubismo?

A discusão entre ArteXModa é longa e ainda dá muito pano pra manga. Realmente o laço entre as duas é bem estreito e uma permeia pela outra constantemente. Enquanto a moda trás para si inspirações artísticas, a arte leva as roupas para quadros, fotografias..
As questões comerciais, de estilos e estéticas definem este limite. Com a industrialização e urbanização, o homem passa a querer se destacar, tornar-se um indivíduo e não mais fazer parte de uma massa. Nos tornamos cada vez mais seres artificializados, e a imagem ganha mais importância.
No início do séc. XX, alguns artistas já repensavam estas questões de beleza. O Cubismo apresenta uma nova percepção e noção de beleza. Com as imagens em fractais, e referências africanas, chamam atenção para as necessidades públicas e abrem as portas para novas formas de representações da figura humana.
O dadaísmo e sua atitude crítica e niilismo, abre os olhos do mundo em um momento de guerra. O surrealismo se junta as pesquisas de FREUD e trabalha o campo onírico e o automatismo psiquico.
Estes movimentos deixam um legado de liberdade de expressão tão forte, que desencadeiam pensamentos e estilos até hoje.
Entender a história da arte e seus caminhos nos ajudam a traduzir qualquer outro tipo de trabalho, seja ele no design de moda ou qualquer outro. Por isso propomos uma discussão sobre conhecimento artístico e suas vertentes neste blog, fazendo links aos trabalhos de hoje e decifrando seus significados.

E por falar em vanguardas....

O último desfile de Viktor & Rolf, Fall 2009 veio carregado de referências do cusbismo. A cartela de cores em tons neutros e os tecidos... ah os tecidos.. um plissado geométrico maravilhoso! Cria um efeito fragmentado genial. E sem deixar de fora os recortes de rendas que fecham com delicadeza e chave de ouro.

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