O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que mudou a música popular e a cultura brasileira entre 1967 e 1968.
Situando historicamente, o Brasil vivia momentos de repressão, a ditadura militar repreendia qualquer tipo de manifestação que ia contra as idéias com capitalistas americana com medo que o Brasil virasse um país comunista.
A música brasileira naquela época tinha antecedentes de um período pós-Bossa Nova, um gênero totalmente original do Brasil, que até então falava de sol, praia, violão, ipanema, amores e felicidade (claro que com uma pitada certa de engajamento). Do outro lado tínhamos a jovem guarda falando de romance, garotas e flertes.
A definição musical brasileira era cada vez mais dominada pelas posições tradicionais e nacionalistas de movimentos ligados à esquerda.
Contra essas tendências centradas apenas na nacionalidade, entra em cena um grupo de baianos e colaboradores procurando universalizar a linguagem da MPB, querendo incorporar elementos da cultura jovem mundial, como o rock, o psicodélico e a guitarra elétrica.
Embora marcante, o Tropicalismo era visto por seus adversários como um movimento vago e sem comprometimento político. A intenção tropicalista não era de passar nas suas letras sua revolta à problemática político-ideológica (papel que ficou por conta da MPB e da música mineira, o Clube da Esquina), como feito até a canção de protesto: acreditavam que a experiência estética é por si só um instrumento social revolucionário.
Nota: É válido ressaltar que o Tropicalismo era contra o Brasil arcaico, nem novidades, por causa da repressão política e defendia a preservação da cultura nacional frente ao imperialismo cultural.
O Divino Maravilhoso mal compreendido
A aceitação do movimento foi difícil, no início muitas vaias rolaram e só posteriormente, quando o movimento se dispersou, que começou a ser entendido e hoje sabemos de sua grande importância para a cultura brasileira"Queria mostrar uma outra mulher que há em mim. Uma outra Gal além daquela que
cantava quietinha num banquinho a bossa nova. Queria cantar explosivamente. Para
fora. Gil fez então o arranjo para o “Divino, maravilhoso”. Quando Caetano me
viu pisar o palco cheia de penduricalhos e espelhinhos pendurados no meu
pescoço, aquela cabeleira afro armada por Dedé, quase morreu de susto. Ele não
sabia de nada. Não tinha escutado o arranjo do Gil, nada, nada. Cantei com toda
a fúria e força que haviam em mim. Metade da platéia se levantou para vaiar. A
outra metade aplaudiu ferozmente. Um homem na minha frente berrava insultos. Foi
então que me veio ainda uma força maior que me atirou contra ele. Cantava
diretamente para ele:“É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a
morte!”.”
A música
O Tropicalismo buscou longe e misturou com o que tava ao seu lado: o rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião e até a música erudita de vanguarda.Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.
Letra e poesia
Caetano Veloso e Gilberto Gil juntamente com letristas e poetas como Torquato Neto e Capinan compuseram letras de músicas fazendo diálogos com obras literárias como as de Oswald de Andrade e de poetas concretistas, elevando algumas composições tropicalistas ao status de poesia.
As canções compunham um quadro crítico e complexo do País: um conjuntodo Brasil arcaico e suas tradições, do Brasil moderno e sua cultura de massa e até de um Brasil futurista, com astronautas e discos voadores.
As canções compunham um quadro crítico e complexo do País: um conjuntodo Brasil arcaico e suas tradições, do Brasil moderno e sua cultura de massa e até de um Brasil futurista, com astronautas e discos voadores.

Nova concepção de arte

Toda essa atmosfera de uma busca por mudanças e novidades propiciou o surgimento de uma cultura alternativa de esquerda como ideal de liberdade de expressão, trazendo cada vez mais o povo para o mundo da arte, ressaltando a experimentação e a interação do público com a arte.
Helio Oiticica traz muita coisa interessante ilustrando essa cena.
O parangolé e suas instalações que chama o publico para a interagir com a arte
O parangolé e suas instalações que chama o publico para a interagir com a arte


Participantes
Alguns representantes do movimento foram:
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jorge Bem, Maria Bethânia, Os Mutantes (Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee), Tom Zé, Antônio Dias, Ferreira Gullar, Lula Wanderley, Arnaldo Antunes, Lygia Pape, Nara Leão, Rogério Duarte, Os Estudantes, Nelson Mota, Ligia Clarck e Walter Smetak.


Moda e comportamento
Por fim a Tropicália acabou transformando os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados, das roupas largas e estampas psicodélicas e cores escandalosas.
Fim do movimento
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos. 
Tropicália inspira moda
Tecâ
A marca Têca já fez uma coleção inspirada em elementos do Tropicalismo. Um deles é o cd de Gilberto Gil traduzido em estampas na coleção. Rogério Duarte desenhou essa capa de disco de Gilberto Gil, na década de 60. Ele é considerado um artista-intelectual porque fez muitos trabalhos gráficos, ao mesmo tempo em que esteve envolvido com movimentos contrários à ditadura no Brasil, ele foi, inclusive, um dos pensadores do movimento tropicalista. As cores e formas da capa do disco têm a ver com a brasilidade e com o psicodélico da época.

“Eu sempre estive nu. Na Academia de Acordeão Regina tocando La Cumparsita, eu estava nu. Eu só sabia que estava nu, e ao lado ficava o camarim cheio de roupas coloridas, roupas de astronauta, pirata, guerrilheiro. E eu, do mais pobre da minha nudez, queria vestir todas. Todas, para não trair minha nudez. Mas elesgostam de uniformes, admitiriam até a minha nudez, contanto que depois pudessem me esfolar e estender a minha pele no meio da praça como se fosse uma bandeira, um guarda-chuva contra o amor, contra os Beatles, contra os Mutantes. Não há guarda-chuva contra Caetano Veloso, Guilherme Araújo, Rogério Duarte, Rogério Duprat, Dirceu, Torquato Neto, Gilberto Gil, contra o câncer, contra a nudez. Eu sempre estive nu. Minha nudez Raios X varava os zuartes, as camisas listradas. E esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa eu vou pro samba que você me convidou? Qual a fantasia que eles vão me pedir que eu vista para tolerar meu corpo nu? Vou andar até explodir colorido. O negro é a soma de todas as cores. A nudez é a soma de todas as roupas.” – Texto de Gilberto Gil
Totem – Verão 2009
A totem também homenageou a tropicália, somando os cabelos volumosos e despreocupados, com looks com muitas estampas tropicais de animais e frutas, psicodélicas e listras em batas, bocas-de-sino, vestidos, tops, calças e shorts. Ao som da música Alegria, alegria de Caetano e um cenário composto por balões brancos e fundo preto contrastando com as cores fortes da coleção, enceram o desfile propagando o amor.














Agora você pode estar pensando “então tudo é kitsch?!”, depende do ponto de vista, de nossas atitudes, da maneira de aquisição de um produto e o valor (sentimental, funcional, religioso) desse produto, o conceito pode ser aplicado. Lembrando que Kitsch não precisa ser necessariamente uma coisa ruim, o ser humano tem uma tendência natural ao Kitsch, por isso, precisamos analisar o nosso produto também sob este aspecto. Alguém já disse que em toda arte existe um pingo de Kirsch, por isso é muito difícil existir uma idéia totalmente isenta de pieguice. Devemos tomar consciência deste fato e tentar usar esse elemento ao nosso favor.


David cria imagens surreais através de fotos ultra saturadas que misturam o glamour, o pop com o onírico, o clássico com o popular, o sério ao engraçado, o sagrado ao profano. Suas fotos usam a computação gráfica de forma inteligente, onde há sempre um aspecto lúdico em que não se sabe onde termina a imagem e começa a manipulação.
Já fez trabalhos para revistas como a Italian Vogue, Vanity Fair, Rolling Stone, i-D, Vibe, Interview, e a The Face, entre muitas outras. Dentro da publicidade, o currículo de LaChapelle estende-se a marcas como L’Oreal, Iceberg, MTV, Ecko, Diesel Jeans, Sirius, Ford, Sky Vodka, etc. Além de retratos que faz dos mais famosos artistas contemporâneos, LaChapelle concebeu capas para os albums de músicos como Macy Gray, Moby, No Doubt, Whitney Houston, Lil’ Kim, Elton John, e Madonna.




Nem a gripe suína escapou do kitsch, a designer Irina Blok criou várias layouts divertidas para máscaras cirúrgicas, reproduzindo vários padrões e imagens nas mesmas.
Taí um filme totalmente kitsch, no seu cenário, figurino, história e canções fantasiosas e exageradas.






