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segunda-feira, 24 de maio de 2010

A roupa das coisas

GOTSCHO para COMME des GARÇONS — BARNEYS, New York


Ausência. Quando vi o trabalho do artista Gotscho, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a música Roupa no Varal, do Lula Queiroga. Ao mesmo tempo que as roupas sugerem uma ausência, elas dão certa vida aos objetos.

As obras de Gotscho geralmente envolvem roupas de alta costura que se fundem a outros objetos. No início ele mesmo criava as roupas na década de 90, e a colaboração com Agnes B trouxe outras parcerias, como Comme des Garcons, Christian Dior, Yohji Yamamoto, Martin Margiela, Issey Miyake, Christian Lacroix e Emanuel Ungaro.

 SUITE DIOR — Christian Dior, Paris - Peças de vitrines para a reabertura da Maison.

Na década de 90, a aproximação das formas de expressão se intensificam. Existem dois lados: uma moda que faz "arte"; e uma arte que fala de moda. As exposições são invadidas por objetos de consumo, enquanto as lojas promovem exposições de artistas.

A crise do consumo de objetos de luxo que acontece nessa época, gera esta aproximação arte+moda. E a confusão gerada por essa união, apesar de ser vista negativamente por confundir as coisas, será também uma grande fonte de inspiração.

Site oficial do Gotscho: www.gotscho.net

terça-feira, 11 de maio de 2010

Exposições Universais e a Moda


Estamos acompanhando toda a euforia de Xangai pela Exposição Universal. Não só de Xangai claro, mas de todos os ávidos por tecnologia e que querem saber um pouco de como anda nosso mundo. Pavilhões do mundo inteiro foram construídos com o intuito de tentar reunir em um só lugar, toda a tecnologia de ponta existente no planeta.

Uma missão bem difícil e complicada para os dias de hoje, imaginem na primeira exposição em 1851. Cada exposição tem um tema, e as primeiras eram sobre indústria, máquinas, engenhocas.

Charles Frédéric Worth, o primeiro costureiro de Alta Costura, participou das primeiras exposições em Londres e Paris, afinal de contas as máquinas de costura ja estavam circulando, e a moda começava a nascer.

Na exposição Mundial de 1889, foi a vez da Torre Eiffel. As primeiras máquinas fotográficas também apareciam, e mostravam progresso.

Outras mostras internacionais foram surgindo. Uma delas, a Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, aconteceu em Paris em Abril de 1925. Permaneceu aberta durante seis meses com o intuito de mostrar os novos talentos Franceses. Com a participação de Jeanne Lanvin, Jean Paquin e Paul Poiret, a moda ganhou destaque na exposição, e só reafirmou a imagem de Paris como lançadora de tendências e luxo.

O "Pavillon de l'Elégance", criado pelo designer Armand Rateau, exibia trabalhos de Lanvin, Callot Soeurs, Jenny, Paquin, Vionnet e Worth. Luxuosos vestidos de festa e mantos eram expostos em manequins criados especialmente para a exposição e inspirados em illustrações de moda da época.

Enquanto o "Pavilhão da Elegância" era mais direcionado à tradicional Alta-Costura, a moda avant-garde, muito forte na época, foi representada por Sonia Delaunay na "Rue des Boutiques". As modelos vestiam as moderníssimas roupas de Sonia, e foram fotografadas na rua, em frente a um carro que Sonia mesma pintou, e de árvores do artista cubista Martel.

Esta exposição sem precedentes, foi visitada por milhares de pessoas. Seu impacto na alta-costura e na moda em geral foi imediato.
Não achei nada que refere à moda na exposição de Xangai. Vocês viram? Deixem aqui o link pra gente!

sábado, 1 de maio de 2010

Amiga "magrela"

As mulheres e suas bicicletas... Este encontro aconteceu por volta de 1890 e gerou um impacto enorme em toda a sociedade.
Nem sempre foi fácil andar de bicicleta para as mulheres. Antes do desenvolvimento da corrente, as bicicletas eram engenhocas, com rodas em tamanhos diferentes, exigiam um esforço físico muito grande e acidentes aconteciam a toda hora.

As mulheres confinadas em suas casas, vestindo espartilhos e saias volumosas estavam longe de conseguir manusear estas bikes. Eis que a tecnologia avança, e em 1970 surgem as primeiras bicicletas seguras ("Safety" bicycles), com rodas em tamanhos iguais e com o sistema de corrente. Com o uso destes novos modelos, as outras foram deixadas de lado e aqui estamos nós com as tataranetas das Safety bikes.

Ao subir na "magrela" e ganhar novos mundos, pois agora a mulher pode sair de seu confinamento e respirar novos ares, a roupa aos poucos vai se adaptando. Claro que protestos foram feitos, mulheres militantes exigiam mudanças na sociedade, uma revolução à duas rodas. As várias camadas de saias longas se transformaram em saias-calças chamadas de Knickerbockers ou Bloomers.
A necessidade de roupas esportivas gerou uma discussão entre as mulheres da época e era a hora de repensar o vestuário feminino. Os espartilhos, as mangas presunto, várias camadas de roupas não combinavam com o novo esporte e a nova mulher que se formava, agora mais forte, independente, e que começava a trabalhar fora de casa.

Todas estas mudanças cutucavam a sociedade pois não se tratava apenas de uma renovada no armário, mas sim uma discussão da imagem feminina e sua sensualidade, e como a imagem falava da moral de cada um. Muitas mulheres eram mal vistas por usarem roupas semelhantes às masculinas. Outros afirmavam que andar de bicicleta fazia mal as mulheres por machucar o corpo frágil, e comunidades publicavam artigos declarando que seriam banidas mulheres que usasem bloomers. Tudo isto para tentar parar a revolução feminina.

Aprender a andar de bicicleta, foi como aprender a domar suas próprias vidas. Frances Willard era uma das mulheres mais famosas de sua época. Lutava pelos direitos das mulheres e aprendeu a andar de bicicleta aos 53 anos pois como ela mesma disse, queria ajudar as mulheres a expandir seus horizontes, libertá-las para uma vida de aventuras, que por anos foi impedida, e ganhar o mundo.

E foi o que fizemos...

Mais dois artigos legais sobre o tema que foram usados como referência:
http://www.annielondonderry.com/womenWheels.html
http://www.autoclassic.com.br/autoclassic2/?p=5648

terça-feira, 20 de abril de 2010

Registros de rua

Fotografar estilosos pela rua virou moda... todo mundo adora ver o que Garance ou The Sartorialist estão registrando pelas lentes que Deus lhes deu! Com isso vamos arquivando todos nossos modos, comportamentos, pensamentos que compartilhamos nesse mundo globalizado.

A fotografia de moda não apenas mostra o que está na onda, mas registra esse nosso momento para os que vierem lá na frente terem uma idéia do que se passou.

Os irmãos Seeberger, em 1909, andavam pelos eventos de corridas de cavalo a procura de estilosas do início do século XX. Jules, Louis e Henri, começaram a fotografar mulheres elegantes vestidas dos melhores designers da época. As imagens são apaixonantes, e o livro que conta um pouco da história dos irmãos e mostra seus cliques, ainda mais.

Scott Schuman já prestou sua homenagem aos pioneiros do ramo. E acho que todas as outras pessoas que olham a rua e as pessoas com outros olhos e registram este olhar, não deixam de fazer o mesmo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Início da fotografia de moda

Edward Steichen, Bakou et Pâtre, Revista Art et Décoration, Abril, 1911.

As meninas estão em clima de fotografia, então me deu vontade de falar sobre o inicio dessa junção tão espetacular de moda+fotografia.

A evolução da fotografia de moda está ligada aos avanços das tecnologias das próprias máquinas, mas também ao amadurecimento da moda e das revistas de moda.
Em 1911 Paul Poiret contratou Edward Steichen, o melhor fotógrafo da época, para registrar sua última coleção. Steichen ao colocar as modelos interagindo com o ambiente de uma forma delicada, criou o primeiro estilo de fotografia de moda, que ainda era muito relacionado as ilustrações de moda da época.

George Hoyningen-Huene, modelos usando roupa de banho, EUA, 1930.

Durante a década de 20, a Vogue contratou uma série de fotógrafos famosos para registar a moda. Os que mais influenciaram este momento foram o surrealista Man Ray, e George Hoyningen-Huene.
Com um estilo mais chapado e uma ótima percepção da luz, George Hoyningen-Huene casou bem com o estilo cubista das roupas de praia da época, que ele as colocava em contato com fundos minimalistas. Ele e Man Ray estavam mais atraídos pelas formas das roupas do que pela própria moda, e assim misturaram a moda à suas próprias estéticas e formas de fotografar.

Edward Steichen, fotografia de Madame Agnès. Vogue Britânica, Setem. 1926.

A partir daí os estilistas começaram a usar esta nova forma de registro de suas roupas, e as ilustrações que antes eram usadas, foram arquivadas. Mas apesar do preço alto da fotografia neste início, somente a partir de 1960 que a fotografia irá comandar pra valer as revistas de moda e expulsar as ilustrações.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Make [me] up

Capa da Vogue Britânica. Janeiro - Julho 1926.

Que a indústria dos cosméticos é uma grande potência hoje todo mundo sabe, mas como isso começou, alguém se abilita??

No começo do século XX a indústria farmaceutica teve avanços significantes na àrea dos cosméticos. Atrizes de cinema e teatro usavam e divulgavam os pós-compactos e rímel, e assim levando a maquiagem para o campo da moda.

Antes do fim da Guerra, o ideal de beleza era muito natural e andrógeno. Porém em 1919, as modelos deram uma repaginada no visual e relembravam pinturas Japonesas: pó branco, rímel preto e delineador, sombrancelhas pinçadas bem finas, e a boca desenhada em forma de coração em batom vermelho.

Max Factor ensina atriz inglesa Dorothy MacKaill como aplicar sua maquiagem, 1930

Max Factor, um polonês que se instalou em Hollywood, desenvolveu a pirmeira linha de produtos de maquiagem que continha pó, rouge, sombra, e batom. A partir daí a maquiagem cai no campo da moda de vez e vai acompanhar cada tendência.

Pinturas abstratas, ilustrações de moda, a fotografia e o cinema irão provocar impacto nas maquiagens e cabelos da época. Com cabelos curtos e chapéus simples, os olhos roubavam a atenção e a maquiagem para olhos foi ficando cada vez mais sofisticada. Vaselina era usada nas pálpebras para iluminar, apareceram os lápis de olhos nas cores azul e marrom, e também lápis para as sombrancelhas.

Propaganda para Cosméticos Elizabeth Arden. Vogue Britânica, Setembro 1927.

Com a prática dos esportes, as companhias de beleza focaram em uma pele limpa e saudável. Daí aparecem os esfoliantes, adstringentes, tônicos, cremes, e bronzeadores artificiais. Antes a maquiagem era considerada coisa de mulheres da vida, a partir de 1920 usar maquiagem é sinal de elegância e segurança.

Os vestidos tubulares e retos da época caíam bem em mulheres magras, então foi a hora de produtos que prometem emagreçer aparecerem. As pernas de fora, e as roupas agora sem mangas também demandaram pernas e axilas depiladas.

Por último mas não menos importantes, os perfumes! Os estilistas começaram a criar suas marcas e casas de alta costura e também seus perfumes. Paul Poiret com o Rosine em 1911, Chanel com No. 5 em 1921, e Lanvin com My Sin(1925) e Arpège(1928).

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A vida ao ar livre nos anos 30

Enquanto os anos 20 destruiu as formas do corpo feminino, os anos 30 voltaram a dar ênfase as curvas femininas.
Jean Harlow
Hollywood foi a grande responsável por influenciar a década de 30, as mulheres tinham como modelo de beleza atrizes do cinema como Greta Garbo e Jean Harlow. A mulher, então, devia ser magra, bronzeada e esportiva.
Jean Harlow

Greta Garbo

Jean Harlow
Imagine que desde a invenção do trem e do carro deve ter ficado bem mais fácil se locomover até uma praia ou balneário para passar as férias, além disso o incentivo da prática de esportes à favor da saúde, a beleza de belos litorais espalhados pelo mundo inteiro, a vontade de matar o calor insuportável, ou simplesmente o fato de fugir da loucura do trabalho duro e respirar um ar puro, tudo isso deve ter impulsionado o mundo para solucionar aos poucos maneiras de tornar o lazer à beira mar e as práticas esportivas mais confortáveis e mais comuns também. Afinal de contas não devia ser fácil nadar com grandes macacões de malha ou lã que deveriam pesar o dobro molhado. Isso tudo acabaria por influenciar os trajes de banho mais tarde.

Nos anos 30 toda uma moda dirigida à vida ao ar livre, ao esporte e os banhos de sol estimulou os costureiros a desenvolver o sportwear.

Foi nesse período que os trajes banhos sofreram uma grande mudança, a menor roupa que as mulheres podiam e tinham coragem de usar eram maiôs bem comportados com uma espécie de short ou saia que faziam parte do traje ou muitas vezes era usado por cima.

O Maiô podia ser grande, mas lá estavam elas, as pernocas, pra fora das saias, totalmente à mostra!
Carmen Miranda e sua irmã Aurora na praia de Copacabana (Rio, 1936)
Carmen e Aurora na praia da Urca (Rio, 1936)
O decote nas costas também apareceu nos trajes de banho, aliás esse era o novo foco de atenção da década de 30: as costas femininas. Alguns pesquisadores acreditam que foi a evolução dos trajes de banho que inspirou os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite.
http://www.revistaantigaportuguesa.blogspot.com/
Ainda existia aqueles que resistiam em usar a roupa de banho nos anos 30
Alguns modelos novos de roupas surgiram com a popularização da prática de esportes, como o short, que surgiu a partir do uso da bicicleta.

Chanel lançou as calças pantalonas para o lazer marítimo.Surge a camisa Lacoste, com talhe alongado e cavas folgadas, corte permitido pela flexibilidade da prática do esporte.
Cada vez mais as mulheres usam calças compridas (slacks) de corte confortavel com chapelões de pano ou de palha
É na década de 30 que campeãs de tênis lançam modelos como a saia aberta dos lados e shorts que iam até abaixo dos joelhos.
Dica para conferir

O filme Desejo e Reparação do diretor Joe Wright traz uma história dramática que acontece na década de 30. E olha aí a atriz Keira Knightley com o maiô super comportado.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Moda: Anos 60

Resumão
Nesse cenário, a transformação da moda foi radical. Era o fim da moda única, que passou a ter várias propostas e a forma de se vestir se tornava cada vez mais ligada ao comportamento.

Aí vai um breve resumo com fotos dos principais looks que caracterizaram a moda nos anos 60!!
O Jeito Andrógeno e o rostinho de boneca com olhos e cílios grandes que marcou os anos 60: Twiggy

A mini saia de Mary Quant

"A idéia da minissaia não é minha, nem de Courrèges. Foi a rua que a inventou"
Mary Quant

O tailleur imortalizado pela primeira dama Jaqueline Kennedy

Novidade para os calçados: surgem novas cores para os sapatos
Sapatos por Roger Vivier

Sapato gráfico
Por Roger Vivier

O vestido Mondrian de Yves Saint Laurent (obra de arte no corpo)

As listras e estampas psicodélicas da op art

O vestido trapézio usado com os sapatinhos de boneca

A moda espacial

silhueta geométrica, novos materiais (tecidos), tecidos sintéticos, botas de plástico.

Inicialmente propostas por Andrè Courrèges, as botas brancas traziam uma referência espacial, representavam a modernidade,o futurismo que a época antevia.

O estilista Paco Rabanne propôs botas de canos mais longos do que aqueles de Courrèges

O vestido tubinho usado por Audrey Hepburn no filme bonequinha de luxo

A moda dos anos 60 trouxe também os vestidos tubinhos que eram bem agarradinhos e mostravam todas as formas do corpo e foram um grande sucesso. Esses vestidos eram estampados e sempre com cores vibrantes.


A silhueta curvilínea

A moda dos mods


Os óculos Jackie Bouvier Kennedy Onassis

O terninho feminino de YSL

Foto de moda dos anos 60

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