sábado, 20 de junho de 2009

Os anos Rebeldes

Que tal uma retrocpectiva de alguns fatores e personalidades que marcaram a década de 60 e influenciaram o mundo?

Muita coisa aconteceu nos anos 60, é claro que não da pra falar de tudo, mas vamos citar alguns que tiveram grande importância principalmente para o mundo da moda.

Estados Unidos X Rússia – A intensificação da guerra fria
A guerra fria que atingiu todo o mundo, uma disputa entre as duas superpotências da época: Estados Unidos e União Soviética, o bloco capitalista versus o bloco socialista.
A disputa por hegemonia política, econômica e militar no mundo atravessou décadas, cada um de lado buscando por desenvolvimento tecnológico, o jogo que quem conseguia contruir o maior arsenal de armas nucleares.


A corrida do homem na concretização da chegada na Lua


- Em outubro de 1964 a Voskhod 1 foi a primeira nave a transportar mais de uma pessoa (três) ao espaço. Em 18 de março de 1965, a Voskhod 2, com duas pessoas a bordo, registrou o primeiro "passeio" espacial. Aleksey Leonov foi a primeira pessoa a sair de uma nave espacial e "flutuar" no espaço, onde ficou por dez minutos

- Em todo o mundo cerca de um bilhão de pessoas assistiram pela televisão ao pouso do módulo lunar da Apollo 11, batizado de "eagle", no solo de nosso satélite. Neil Armstrong entrou para a história como o primeiro homem a pisar na Lua, sendo logo seguido por seu companheiro Edwin Aldrin. Os dois passaram 22 horas na Lua, sendo dessas, 2 horas e 40 minutos fora da nave.

A herança da Segunda Guerra mundial para os EUA



- Os EUA acabaram herdando uma classe intelectual, muitos artistas fugiram do nazismo para o país



- Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os maridos voltaram para suas casas, o resultado foi uma onda de nascimento de bebês na década de 50, fenômeno que ficou conhecido como Baby Boom. Na década de 60, esses bebês se tornaram jovens, que acabou gerando novidades, buscando novos visuais, diferentes pensamentos e um tipo de vida diferente da dos seus pais, a geração de 60 iniciou uma grande geração de consumistas.



*Nota: É valido lembrar que os anos 50 foram marcados por uma crise no moralismo rígido da sociedade, expressão remanescente do Sonho Americano que não conseguia mais empolgar a juventude do planeta.

O América way of life

- O capitalismo injetado diretamente na veia dos americanos e países por eles ifluenciados, durante a Guerra Fria propagou um meio de vida estimulando o consumo e depreciando tudo estava ligado ao socialismo. A família feliz era composta por donas de casas, com maridos engravatados, bem sucedidos e com dois carros na garagem, que cuidavam dos seus filhos e cozinhava alegremente na sua cozinha cheia de eletrodomésticos novinhos.



- Os anos 60 revelaram as experiências com drogas, a perda da inocência, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos.

Jackie Bouvier



- Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis foi a esposa e primeira-dama de um dos presidente norte-americano mais queridos nos EUA: John F. Kennedy (entre 1961 e 1963). Se tornou um ícone da moda e uma figura importante dos anos 60 por sua elegância, inteligência e influência.
Até hoje Jackie é lembrada no mundo da moda por seu bom gosto e principalmente pelos seus famosos tailleurs.



I want to hold your hand

- Os Beatles foi a banda de rock que existiu durante toda a década de 60, seguidos por The Rolling Stones, The Who, The Animals e vários outras.
O “Quarteto Fabuloso" como eram chamados, obtiveram fama, popularidade e notoriedade até hoje inéditas para uma banda musical, e se tornaram a banda de maior sucesso e de maior influência do século XX. Suas vestimentas, os cortes de cabelo, e sua crescente consciência social influenciaram a forma de ser dos jovens da geração 60.
É em 67 que os Beatles lançam aquele que é considerado o melhor álbum da história: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. O álbum se tornou um dos discos mais vendidos da história e tido como o mais influente.



Movimento Hippie - "Make Love Not War".


- O movimento teve inicio nos anos 60, nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos EUA. Foi uma reação ao consumismo, às guerras, ao capitalismo, a desigualdades da sociedade americana. Defendiam os valores da natureza, o amor, a paz, a liberdade sexual, a liberdade de expressão e abraçavam aspectos de religiões como o budismo e o hinduismo.

Na sua expressão mais radical, os jovens hippies abandonavam o conforto dos lares paternos e rumavam para as cidades, principalmente S. Francisco, para aí viver em comunidade com outros hippies; noutros casos estabeleceram-se em comunas rurais.


- Tanta coisa aconteceu e surgiu nessa década. A idéia do ecletismo acabou cultuada, tudo acontecia ao mesmo tempo, vários assustos eram discutidos, vários gêneros musicais escutados.

No Brasil

- A ditadura militar no Brasil foi um governo iniciado em abril de 1964, após um golpe articulado pelas Forças Armadas, em 31 de março do mesmo ano, contra o governo do presidente João Goulart. Reprimindo qualquer tipo de manifestação socialista.


- Em 1963 surge o Clube da Esquina, importante conjunto musical mineiro, com Milton Nascimento e os irmãos Borges.



-Surge o Movimento Tropicália, em 1967. Com Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de Os mutantes, Tom Zé e Torquato Neto. (O assunto será abordado em outro post)



- Em 1965 Elis Regina interpreta Arrastão, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, e com isso surge a MPB, ou Música Popular Brasileira, no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record

- A bossa nova surgiu no final da década de 1950 e início da de 1960, um novo modo de cantar e tocar samba naquela época que acabou tomando uma dimensão muito maior, o estilo musical se tornou muito conhecido posteriormente, um gênero original totalmente criado na identidade brasileira. Seus principais repercusores foram: João Gilberto, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim, Nara Leão, Carloz Lyra e entre outros.



- O programa Jovem Guarda estreiou em 1965, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, e acabou gerando o movimento com o mesmo nome, onde os jovens tiveram pela primeira vez um espaço, lhes permitindo uma identidade própria, pois foi a primeira vez que se era dedicada aos adolescentes uma parte do cenário cultural.

- O cabelo de Roberto Carlos na época era o símbolo da juventude.

*Nota: Como já visto em post anteriores sobre teddy boys, mods, rockers, a bossa nova, jovem guarda e rostos como twiggy e Audrey Hepburn viraram referências da geração jovem e fizeram a moda da geração que se construiu nos anos rebeldes.

Parada obrigatória!


E olha só o que eu achei por aí, uma propaganda da Renner dos anos 60! Relíquia!

A partir desses e vários outros fatos que deram vida aos anos 60 desencadeou outros fatores e uma série de consequências em um futuro posterior.

É inevitável não lembrar dos anos 60 como a década, rebeldes, revolucionária e ao mesmo tempo dourada.

Menos é Mais

Menos é mais! Podemos dizer que esta é a máxima do movimento artístico conhecido como Minimalismo, que influencia tanto a moda quanto o design como um todo.
O Minimalismo traz consigo fortes heranças do Construtivismo Russo que, através da experimentação formal, procurava uma linguagem universal da arte, passível de ser absorvida por toda a humanidade. Durante a Revolução Russa, com sua necessidade de desenvolvimento tecnológico, os construtivistas se apoderaram desta tecnologia para dar origem a abstrações as quais foram seguidas por vários movimentos, dentre eles o Minimalismo.

Dan Flavin


Este movimento artístico tem como seu resumo três palavras: simplicidade, sofisticação e tecnologia. Dessa forma, as cores e formas das artes minimalistas sofrem uma redução sistemática. O Minimalismo é uma arte cética que não quer pregar ilusões, por este motivo, torna-se uma arte fria e sem emoção.


Jasper Johns


Um dos objetivos principais do Minimalismo era trabalhar com a realidade, sem mitologia e sem história, olhar o agora e não o passado.

Donald Judd

Outros artistas minimalistas: Frank Stella, Robert Morris, Sol Lewitt, Carl Andre e Adolf Loss.


Na moda, os estilistas minimalistas, são conhecidos por seu impecável trabalho de modelagem e primazia no corte e acabamentos. Os tecidos são quase sempre tecidos tecnológicos e a cartela de cores é sempre bastante enxuta.

Yohji Yamamoto SS 09

Calvin Klein SS 09


Jill Sander SS 09


Outros estilistas minimalistas: Andre Courréges, Mary Quant, Martin Margiela e Lanvin.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dirty Pop: Da Cultura Pop à Pop Art

Plagiando a boyband (nada melhor do que uma boyband quando o assunto em pauta é cultura pop) dos anos 90 N’Sync, nomeio este post que tratará da Cultura Pop e da Pop Art. Brincadeiras a parte, nada tem a ver o N’sync dos anos 90 com esta forma de arte que teve origem em meados do anos 60, a não ser o apelo popular e a sua origem.
As transformações de cunho social ocorridas dos anos 60 são muitas e necessárias para se compreender como surgiu essa forma de arte. Nesta década, os jovens são rebeldes, negam o passado e são a grande força consumista e geradora de novidades. A televisão, com seus programas ao vivo, juntamente com o cinema, configuram o culto ao popstar. Nascem as boybands nos EUA (alô N’sync, olha os seus antepassados aí!), e este país se firma como referência cultural mundial.

O primeiro homem a pisar na Lua e o surgimento de novos materiais, com uma ajuda da tecnologia, dão vida à cor prata, que se torna sinônimo de Hi-tech. O assunto é abordado no sucesso do cinema "Barbarella", uma heroína do espaço vivida por Jane Fonda que usava roupas metalizadas e se tornou superstar.

É este o cenário que abre caminho para a arte Pop. Em meio a essa sociedade do consumo de imagens, produtos e estrelas, tudo torna-se popular, inclusive a arte. Arte esta, que pretendia atingir a todos os tipos de público e que para alcançar seu objetivo, rompe completamente com os padrões da arte clássica e assume uma postura de crítica, inclusive a si mesma.

A cultura do consumo se torna sua matéria prima, devido a esta máxima a Pop Art retrata, celebridades, ícones do cotidiano como alimentos, produtos muito conhecidos e por aí vai, quase sempre em cores chapadas e sem volume e se valendo de novas tecnologias para representação.
O nome mais famoso da Pop Art é Andy Warhol, também conhecido como “o cara da Marilyn Monroe e das sopas Campbell’s”.

Outros artistas famosos do movimento artístico foram Jasper Johns, Roy Lichtenstein, Marisol, James Rovenquist, George Segal e Tom Wesselmann. No Brasil podemos citar, Beatriz milhazes, Emmanuels Nassar, Alex Flemming e Yuli Geszti.

Na moda, os estilistas que fazem essa relação com a Pop Art, mostram isso de maneira bem explícita, como é o caso de Jean-Charles de Casteljabac, que se apropriou da imagem do rosto de Barack Obama para um vestido de sua coleção.

Punks

O rock deu origem a várias tribos jovens. Uma delas é o movimento Punk, uns dos mais influentes até hoje. A cultura punk envolve desde a ideologia e modo de vida, até a musica, roupas e literatura.
A primeira aparição do estilo foi nos Estados Unidos, e logo após na Inglaterra, ambos nos fins da década de 70. Nova York, Londres e Los Angeles foram as cidades de maior influencia, porém o estilo punk e toda sua subcultura se alastrou por vários países e variando de acordo com cada região.

A música é o ponto mais importante e que alavancou o movimento. Com referências do rock e de outros estilos como o metal, as músicas são curtas e agressivas, com letras que transmitem os valores e ideologias punks, como o niilismo, ou protestos.

The Ramones
Formada por três garotos fãns de The Doors, The Who, e Rolling Stones, a banda americana The Ramones, ganhou reconhecimento durante os anos ficando em turnê durante 22 anos.

Sex Pistols

No continente inglês, a banda punk de maior influência é os Sex Pistols, apesar de terem produzido poucos álbuns. Com atitude rebelde, os shows eram desorganizados e acabavam em bagunça, e o consumo de drogas era intenso.
O estilo de roupas do grupo era auxiliado por casas da Kings Road, e umas delas era a loja Too Fast to Live, Too Young to Die, comandada por Malcolm MacLaren e Vivienne Westwood.

Algumas peças do vestuário punk:
Roupas rasgadas ou penduradas com alfinetes, que também serviam como adereços para orelhas. Couro, borracha, e vinil, para as roupas. Calças justas, as vezes xadrezas. Jaquetas de couro cheias de pins, broches, rebites, e patches. Nos pés eram allstar e corturnos. Os cabelos podiam ser moicanos divididos em fincos, ou coloridos com cores vibrantes.

A autenticidade era algo extremamente importante para o grupo. Os "posers", que adotavam alguma maneira de falar ou vestir apenas para parecer e se relacionar com o grupo superficialmente, eram rejeitados por não dividirem as ideologias ou expressar seu modo pessoal de ser.

Esta atitude e personalidade forte do movimento punk, é seu grande legado para nossos tempos, e acredito que será para muitos outros.

Releitura

Giles Deacon se inspirou nos spikes e correntes do estilo. Com estampas e acessórios a coleção ganha atitude. Detalhe para as sandálias..
Mais informações:
Subcultura Punk
Giles SS07
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